Archive for outubro \21\UTC 2005

McOndo e Piratas

outubro 21, 2005

Bom, reinaugurando o blog com um post rapidinho, simples e que não vai acrescentar muita coisa à vida de vocês.

Fui ontem ao CCBB, assistir uma palestra / debate entre o escritor chileno Alberto Fuguet (do excelente livro Mala Onda, bisonhamente traduzido pra Baixo Astral) e o paulista Santiago Nazarian (que eu nunca havia ouvido falar e já tem três romances publicados, sendo o mais recente, Feriado de Mim Mesmo). Nas palavras de Fuguet foi a comparação dos backgrounds “chileno nerd” e “são paulo goth” (já que o Santiago é estaile e podia muito bem tocar teclado no The 69 Eyes, só com um pouquinho de produção).

O tema era meio espinhoso, sobre a identidade da literatura latino americana, e o “movimento” anti-realismo fantástico McOndo, (digo “movimento” entre aspas por que, segundo Fuguet, ele queria fazer um trocadilho engraçaralho com Macondo, cidade fictícia do Cem Anos de Solidão, e as pessoas acabaram levando a sério demais).

Mala Onda é um livro genial, extremamente simples, contando uma semana na vida do chileno Mathias Vicuña, que regressa de uma temporada de férias / putaria no Rio de Janeiro, de volta ao Chile repressor dos anos de Pinochet. O final é meio bizarro, mas não estou resenhando o livro aqui, então sem mais comentários. Vale a pena procurar o livro, ou pedir emprestado para seus amigos chilenos.

O que eu achei legal é que os dois autores pareciam estar bem conscientes que não ia se chegar a nenhuma conclusão, até por que não há conclusão definitiva sobre o assunto. Acho que os dois sabiam que ia ser mais divertido se estivéssemos conversando sobre cinema, música, futebol ou a Finlândia. Mesmo assim houve alguns momentos divertidos, a melhor frase do debate foi quando Fuguet falou sobre a latinoamericanização dos EUA: “O filho de um péssimo ex-presidente é o atual presidente, existe coisa mais latino americana que isso?”

O Santiago Nazarian ganhou vários pontos com a performance improvisada imitando o escritor lânguido-melancólico-poser de blog (nas suas próprias palavras). Fiquei curioso pra ler algo dele, especialmente depois de ter dado uma olhada no blog do rapaz (apesar de ter um post falando mal do Terry Gilliam; não se fala mal do Terry Gilliam assim, de bobeira, só por que Irmãos Grimm é uma bosta). Anyway, sounds interesting.

Mas o highlight da noite foi quando a Juliana (amiga minha, vocês não conhecem) levou um livro PIRATA pro Fuguet assinar! Realmente, o livro parecia ter sido xerocado em mimeógrafo de colégio, as folhas eram mais toscas que as do Jornal dos Sports e ele estava se desfazendo em fascículos, tal era a qualidade da encardenação. Podia se crer que era uma versão “popular” do livro, tipo “compre duas empanadas de queso e escolha entre una arroz con leche ou um livro do Alberto Fuguet de brinde!”.

Genial, pelo menos ele levou na esportiva, riu e autografou o livro com um gracejo tipo “este libro és más pirata que la cresta!“.

E eu fiquei feliz de exercitar mi hermoso portunhol, embora não tenha tido chance de dizer nenhum palavrão, nem sequer um singelo “concha de tu madre puto hueón de mierda”.

Beijos a todos

np: Marillion, White Russian

Só enganação…

outubro 3, 2005

Como eu não tinha nada pra postar e todos os meus textos são meio grandes demais, vou lançar mão de uma engenhosa artimanha. Basta meus numerosos leitores seguirem algumas simples instruções:

Vão em http://www.ligazine.com.br/palavras/contos/ct_041.htm e leiam o meu simpático conto “Passatempo do Diabo” que está lá no site Ligazine. Finjam que eu postei aqui, certo?

Depois deêm uma olhada no site, que tem algumas coisas legais.

Basicamente isso, esse post foi uma enganação.

Beijo nas crianças.

np: The Gathering, These good people

Spellfire: Master the Little Anger

outubro 1, 2005

Cardgames nerds, em especial o Spellfire, devem ser criações do Diabo. Todo mundo que joga já pensou nessa possibilidade.

Eu imagino o Inferno, o Diabo reunido com todos os seus renomados assessores: Seth, Loki, Santos Dumont e o traficante carioca Docinho (não me perguntem qual o critério que o Diabo usou; eu também sei que não faz sentido nenhum, mas não é do seu pecúlio). O Diabo estaria muito puto, já que acabara de descobrir que WAR e Banco Imobiliário não eram suficientes para semear a discórdia entre as novas gerações. Eles precisavam criar um jogo novo, original, e ainda mais diabólico. Por isso copiaram Magic: The Gathering e pariram o Spellfire.

Seth iria dizer que o objetivo desse cardgame era a destruição do próximo e a judiação do mais fraco, por isso estava perfeito.

Loki ia afirmar que o único meio de triunfar em tal jogo era através de manipulações mesquinhas e traições, que voltariam amigos contra amigos e separariam casais irremediavelmente. Justo o que eles precisavam.

Santos Dumont ia dizer que inventou o avião, para voar feito um passarinho.*

E Docinho ia acrescentar o toque final. As cartas apelonas, artifícios especiais do jogo, cuidadosamente planejadas para causar ódio; combos improváveis, mas que continuam surgindo insistentemente, sempre que o clima do jogo ainda está amistoso (como os eventos Calm + Transformation, pra citar o mais popular entre os meus amigos). Desse modo, uma só jogada pode desencadear a reação que vai transformar a inocente partida em uma batalha campal.

E a gargalhada triunfal do cramunhão soaria das profundezas do Inferno.

Eu já vi coisas assustadoras em jogos de Spellfire. Já tive a integridade física ameaçada (a moral, nem se fala), vi casais se separando, cartas sendo jogadas para o alto e uma vez até uma carta sendo comida. (Bom, um amigo meu também engoliu uma peça de WAR, então concluo que comer peças do jogo seja um procedimento padrão para aplacar a ira quando a situação se torna insuportável).

Até que, tempos depois, um assessor mais esperto do Diabo (imagino que o mesmo que sugeriu a Inquisição Espanhola) iria propor a criação de World of Warcraft.

E a humanidade segue em sua lenta caminhada rumo a perdição.

* Citação extremamente forçada à letra da música Santos Dumont, da banda El Efecto, que por acaso é foda pra caralho.