Archive for março \30\UTC 2007

That Stupid Soundtrack Meme!

março 30, 2007

Não resisti a postar essa brincadeira estúpida. Mas é a primeira e última vez que uso o blog para tal futilidade. (HAHA, vai nessa)

Vou explicar: nesses tempos modernos encontra-se um oráculo em cada esquina (a não ser que seja a esquina do Mundo Verde, daí você topa com uns trinta oráculos e chá verde). Porém, o mais divertido descendente de delfos está aí no seu computador, é o seu Winamp (ou Media Player, whatever).

Ponha todas as suas mp3s pra tocar, no modo shuffle, e a partir daí, descubra qual é a trilha sonora da sua vida, cortesia da infinita sabedoria do seu audio player! (E funciona melhor se você tem infinitos giga de mp3 que nunca sequer ouviu, por exemplo).

(Descobri a brincadeira através desse blog nerd, encontrado aleatoriamente hehe)

Afinal, não resisti, aí vão minhas tracks e alguns comentários, embora sem questionar a sabedoria do grande oráculo.

Opening Credits:
I Still Remember”, Bloc Party. Rola aquele climão, bem início de filme americano de highschool. Não sei se isso é bom ou é ruim, já que daí pra frente o negócio pode degringolar pra um terror adolescente sanguinolento, uma comédia mongol escatológica ou algum filme perturbado dirigido pelo Gus Van Sant. Veremos.

Waking Up:
“Jealous Girls”, The Gossip. Que porra de soundtrack modernoso é esse? Eu tenho 10 giga de Café Tacuba e só toca rockizinho alternativo? Anyway, essa banda é legal e realmente tem aquele clima do personagem principal (eu) acordando de manhã e indo pra minha highschool na Califórnia. Nem prestei atenção na letra, pra não me assustar com os desígnios do Winamp.

First Day At School:
A Garota Mais”, Wonkavision. Essa música é genial, mas não combina lá muito com a premissa de ‘Primeiro Dia na Escola’. Até porque a última coisa que o jovem Pedro iria pensar no primeiro dia de aula seria se casar com a garota mais afudê do mundo. Mas vá lá, o jovem Pedro não era lá um jovem muito normal. Quem sabe… ?

Falling In Love:
Cambodia”, Apoptygma Berzerk. Tava demorando pro Winamp escolher alguma coisa que eu nem sequer ouvi (viu? Quem manda baixar mp3 compulsivamente?). Não consigo me ver “flying to Cambodia” e falling in love com uma cambojana, contudo, como já foi observado anteriormente, não sou lá a criatura mais normal do mundo.

Fight Song:
Twinkle”, Tori Amos. Ok, ok. Vamos combinar que, sejam quais forem meus inimigos, lutar ao som de Tori Amos é pura poesia. Ainda mais uma música só com piano e voz. Bom, fica a minha sugestão, a peleja tem que ser algo no estilo Clã das Adagas Voadoras, e eu espero estar enfrentando zumbis com uma serra elétrica.

Breaking Up:
Salir Corriendo”, Amaral. Finalmente, chegou o momento em que eu termino com a cambojana mais afudê do mundo. E nada melhor que a Amaral, cantora espanhola que só compõe hits candidatos à trilha sonora de novela. Olha só: “Cuántos peces tienes que pescar / Para hacer un desierto del fondo del mar?”. Fico feliz em dar um pé na bunda daquela cambojana sem-vergonha ao som da minha diva pop espanhola predileta.

Prom:
Pressure Point”, The Zutons. Canção divertida de uma banda divertida. Imagino a pressão que o baile de formatura tenha se tornado para o adolescente Pedro, após tudo que tem passado. Faz sentido. E pelo trecho “I’ve acted so well, ain’t been cheating, there’s nothing to tell”, descubro que provavelmente era a cambojana imunda que estava me traindo!! Afinal, eu que era o bonzinho otário da relação, fazia tudo direito e etc e tal.

(HAHAHA, Winamp, seu velho maroto, tô te devendo uma.)

Life:
Son of a Preacher Man”, Joan Osborn. A parte “the only boy who could ever reach me...” levanta sérias dúvidas à minha sexualidade. Digamos que esse era um episódio reprimido da minha tenra infância, trazido a tona pelo excesso de ponche sem álcool no baile de formatura.

(Maldito Winamp, logo quando eu resolvi te elogiar?)

Mental Breakdown:
The Walk”, The Cure. Claro, cai como uma luva. Minha crise nervosa, ocasionada pelo filhadaputa filho da porra do pregador, tinha que ser acompanhada por The Cure. O pior de tudo é que a letra ainda diz “in an instant I remember everything”. Valeu, isso aqui está fugindo seriamente do meu controle (só criativo, por enquanto).

Driving:
Cordão”, Chico Buarque. Puta merda, quem dirige ouvindo Chico Buarque? No trânsito do Rio eu certamente não estou. Acho que interpretei mal o nome da seção, não estou dirigindo um carro, e sim uma espaçonave atochada com todas as ogivas termonucleares da União Soviética – a todo vapor em direção ao Sol.

Flashback:
De repente, o Winamp abre o Pimsleur, curso de russo em mp3 (eu sei falar spaceeba e tovarisch). Caralho, pelo menos a porra do meu flashback é em russo.

Getting Back Together:
Exit Music”, Savatage. Bom, fiquei até emocionado. Música instrumental do Savatage. Bem farofada para um getting back, embora paradoxalmente chamada exit music. Já aviso que não estou voltando com a cambojana ordinária, e sim com a russa do meu flashback, ok?

Wedding:
Simple Things”, Zero 7. Conheci essa banda pela trilha sonora do Garden State (Hora de Voltar, em português, filmaço com a trilha sonora quase tão boa quanto a minha). O som tem um clima meio ambient, meio trip hop, downtempo ou seja lá como se definem estilos musicais para que soem cool hoje em dia. Seria um casamento meio melancólico pro meu gosto, pelo visto sem álcool. Talvez a russa fosse uma espiã da KGB pretendendo me influenciar a utilizar meu gênio criativo em prol da URSS. Medo.

Birth of Child:
Rock is Dead”, Marylin Manson. Ótimo, vou ser pai da porra do anticristo.

Final Battle:
Television, Television”, Ok Go. Bom, depois de uma primeira batalha poética ao som de Tori Amos, aqui temos algo mais animado, um estilo Buffy: The Vampire-Slayer. Provavelmente estou enfrentando os ninjas-demônios que vieram seqüestrar o pequeno anticristozinho dos braços do papai aqui. Nah, nah, nah, ninguém leva o pequeno anticristozinho, vai todo mundo entrar na porrada.

Death Scene:
Stash”, Phish. Bom, eu morro ao som de Phish, e uma música esquisita que é uma cruza de jazz com bossa nova e umas pitadas latinas. Genial, genial. Digamos que terei uma morte misteriosa e dúbia e que em breve eu ressuscite como o espírito da vingançaou algo que o valha.

Funeral Song:
6 Underground”, Sneaker Pimps. Interessante e apropriado. Tipo, funeralenterradounderground… éin? éin? Sacou? Esse fraco por trocadilhos ainda vai ser a minha ruína. Hehe.

End Credits:
Ghost of Perdition”, Opeth. Justamente uma das poucas músicas com trechos mais déti metal do Opeth resolve tocar nos meus créditos finais. O que isso significa? Metal nos créditos, pra deixar nego bolado? Não, provavelmente significa que os direitos para a continuação já foram vendidos! Basta só contratarem algum incompetente para escrever um roteiro onde eu retorne como espírito da vingança ou spawn, a cria do inferno!! Sim, é claro! Tudo se encaixa, ó céus.

Então, o balanço final é estranho. De acordo com a minha interpretação da trilha sonora desse filme-vida, me apaixono por uma cambojana, tomo uma bela duma chifrada, termino com a vadiranha, faço regressão não-alcoólica despertando episódios homossexuais da minha tenra infância e, por fim, me caso com uma russa, meu velho amor dos tempos de KGB. Para completar a odisséia, sou pai do anticristo e morro lutando contra uma horda de ninjas-demônios. Garanto que se me deixassem desenvolver mais um pouco, eu encaixaria os zumbis e a a nave com as ogivas nucleares, mas falta-me paciência. Hehe.

Obrigado, ó caprichoso oráculo dos audio players.

Agora, duvido que você, que conseguiu ler essa baboseira até o final, não vá fazer a mesma coisa. HAHAHA.

(np: precisa mesmo?)

Tolkien e um jovem mancebo nerd

março 24, 2007

O último post (sobre a ‘literatura’ de fantasia farofa/comercial) me fez pensar um pouco sobre Tolkien, em especial nos dois ‘olhares’ diferentes que eu tive do Senhor dos Anéis.

Eu explico. Li o livro pela primeira vez com 11 ou 12 anos, aquele jovem Pedrinho ainda era um leigo mancebo nos mistérios nerds; fã da Espada Selvagem de Conan, dos X-Men clássicos de Chris Claremont, dos livros-jogos Aventuras Fantásticas e, obviamente, de RPGs em sua concepção básica e primordial: matar monstros e roubar as coisas deles.

O que o espinhento guri assexuado esperava em um livro que era considerado a bíblia da literatura de fantasia? Vamos lá, vou enumerar:

1) Tal qual Conan, era imperativo haver pelo menos um personagem sinistro, que encarasse geral no braço e ainda passasse o rodo na mulherada. O que o guri encontrou? Frodo e Sam. Embora ingênuo, o jovem rapazote sabia identificar viadagem quando ela se apresentava de modo tão escancarado.

2) Como um fã hardcore dos X-Men, aquele crédulo garoto esperava uma trama insanamente complicada, com zilhões de personagens aleatórios, mortes apocalípticas (ok, checked), clima barrados no baile e pegação (veja bem, não entre indivíduos do mesmo sexo, e, por favor, nem entre indivíduos de raças diferentes, porque Legolas e Gimli não contam!). E, por fim, mas mais importante do que todo o resto, o Wolverine. Sim, para o jovem Pedro gostar era imprescindível que tivesse o Wolverine.

3) Os nerds mais seminais irão se lembrar eternamente dos livros-jogos Aventuras Fantásticas, afinal, eles sintetizavam perfeitamente o conceito primordial do RPG: matar monstros e roubar suas coisas. Ao ler um grande épico de fantasia, eu quero que o grupo de heróis mate monstros e roube suas coisas! Por mais nobre que seja a sua missão – jogar um anel em um buraco grande e fumegante – todo herói deveria ter tempo para uma prosaica matança seguida de uma descontraída pilhagem. Se eu criasse os cânones da literatura de fantasia farofa, isso estaria entre os mandamentos.

4) E, finalmente, porrada com o boss. Tipo, era necessário que existisse um chefão do mal e que no fim os heróis se juntassem pra embotar de cacete o tal final boss. Parecia ilógico ao infante Pedro que aquele grupo de heróis não fosse juntar de pancada no Sauron. Ou pelo menos nos Nazgul, em um combate eletrizante e caótico, tipo X-Men vs Irmandade dos Mutantes, e ainda desenhado pelo Dave Cockrum.

Sim, o infante Pedrinho se decepcionou com o livro.

Mas o infante Pedrinho cresceu. Conheceu Sandman e os contos de Robert E. Howard (criador do Conan), é fã dos X-Men do Grant Morrison, leu algo de literatura não-nerd (o que minha porção intelectual detesta admitir que é necessário) e, o que é um alívio, não teve nenhum distúrbio sexual advindo das relações doentias entre Legolas e Gimli (até então, pelo menos).

O Pedro adulto (e esse sou eu) leu a trilogia novamente, com uns 20 e poucos anos, e a recomendaria para qualquer um. Quando você é um pivete, babando no decote fisicamente improvável da Jean Grey, não está exatamente apto a usufruir completamente de certas sutilezas. Por exemplo, como entender a relação entre o Frodo e o Sam, sendo um pré-adolescente mongol que se diverte desenhando pirus nas cadeiras dos colegas? Ou como entender que não poderia haver melhor solução para o combate entre Gandalf e Balrog, se você está acostumado ao exagero narrativo do cinema-farofa e das HQs da Marvel?

Eu ainda me divirto (seriamente, admito) com a high fantasy de A Song of Ice and Fire e outros genéricos enfarofados de Tolkien, mas tenho discernimento suficiente pra saber que não dá pra botar na mesma sacola que O Senhor dos Anéis, é inviável comparar.

Por isso, recomendo que leiam A Song of Ice and Fire (ver post anterior para mais detalhes) e se divirtam, e não deixem de ler O Senhor dos Anéis. Mas, se me perguntam o que vale a pena reler e reler (e reler), fique com Tolkien e o anel no buraco fumegante.

De qualquer maneira, até hoje a minha única ressalva ainda é a ausência do Wolverine.

/me imaginando o Wolverine (com o uniforme marrom, claro) retalhando aqueles Nazguls safados em tirinhas, tudo desenhado pelo Dave Cockrum, naturalmente.

(np: Porcupine Tree – Pure Narcotic)