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Livros do (meu) ano

dezembro 28, 2007

Bom, todo mundo sabe que a coisa mais legal do mundo é fazer listas. É completamente inútil, mas todo mundo faz, começando pelas listas de supermercado (que nunca são respeitadas), até listas de resoluções de ano novo (bem menos confiáveis do que as de supermercado).

Agora deixando pra trás o parágrafo de introdução bullshit obrigatório, decidi fazer uma lista e citar – sem ordem de preferência ou cronologia ou porra nenhuma – os livros que li esse ano e mais gostei. Vamulá.

Reparação, do Ian McEwan. Quem já leu comentários sobre esse livro, em algum momento pensou “não pode ser essa pica toda, isso é hype de crítico punheteiro!”. Não, nem é. Coloquei o livro em primeiro aqui porque é a melhor que eu li em anos. Experimente falar mal na minha frente, vai sair briga.

(Não que isso signifique muito, também não admito que falem mal do Holy Land, do Angra, na minha frente.)

Mas sério, quero ver você ler essa singela história e não terminar as últimas páginas com aquela lágrima fugidia escapando incógnita e um sorriso idiota na cara. Sério. Mesmo.

Memórias póstumas de Brás Cubas, do Machadão, claro. Bom, como todo o resto do Brasil, eu fui obrigado a ler Machado na escola, quando queria mesmo era ler Dragonlance, Isaac Asimov e os X-Men contra a Fênix Negra. Porra, óbvio que nunca mais cheguei perto do Machadão. Havia um espaço empoeirado e praticamente inacessível na minha estante dedicado a Dom Casmurro e outros livros que “li” na escola. Só era possível alcançá-los com uma escada. Eu lembro ter “guardado” os livros lá fazendo frisbee literário (algum dia eu ensino as melhores técnicas). Mas alguns tiveram sorte pior. Iracema eu queimei num ritual satânico, ouvindo Motley Crue. \m/

Anyway, depois, com meus 27 anos na cara, calhou-me ler esse livro para a aula de Teoria da Literatura. Infelizmente, o frisbee do Memórias desapareceu, tive que comprar aquela edição sebenta da Martin Claret, que pelo menos não é diagramada em duas colunas.

Putz, que livro foda. O humor do Machado (ou do Brás) é praticamente Monty Python. E a visão cética dele é genial. E blá, blá e blá… Fiz uma prova sobre esse livro, não vou apoquentar vocês com toda a bagagem intelectual que eu tentei reter. Hehe. Sério, eu tento reter coisas intelectualmente enriquecedoras, mesmo que não sejam regras de RPG ou detalhes obscuros da cronologia ininteligível do Universo Marvel. Só mesmo Lingüística que eu faço questão de armazenar na minha pasta de arquivos temporários e deleto periodicamente. HAha.

Anyway, Machadão rules.

As Vinhas da Ira, John Steinbeck. É um livro grandinho, que caminha beeeem lentamente, sobre uma família de retirantes americanos em busca da “terra prometida” na Califórnia. Ao mesmo tempo que é realista, cru e muito crítico, é poético e emocionante. Não, não faz você virar gay, eu também sou sensível, porra. Vale ressaltar que foi uma dica de minha amiga húngara Szcszuka (ahá, vai, seu mané, tenta pronunciar isso! agora de novo, com a boca cheia de farofa!).

1933 foi um ano ruim, John Fante. A Gorda já tinha me emprestado dois Fantes (Bunker Hill e Pergunte ao pó, meu preferido), aí o Campélla me emprestou esse. Putaquepariu, que livro foda. Sem mais comentários.

Deus, um delírio, Richard Dawkins. Absolutamente genial. Inclusive, eu, ateu convicto, terminei o livro um pio devoto do Monstro do Espaguete Voador. Cara, vocês sabiam que o paraíso do Monstro do Espaguete Voador tem VULCÕES DE CERVEJA???? Isso aí, vulcões que jorram cerveja! Eu já mandei reservar o meu assento na beirada do vulcão da Leffe. HAHAHA, a minha religião rocks, a sua é um lixo.

Nove noites, Bernardo Carvalho. Mais outro bem vindo presente da minha aula de Teoria da Literatura. A leitura é fácil, dá pra sentar e ler de uma só vez. O texto é foda, a trama começa a prender da mesma maneira que Lost, você não entende porra nenhuma, mas tem a leve sensação que algo que de algum modo faz sentido está acontecendo. Isso até metade do livro. Ao fim, tire suas próprias conclusões e tente não me matar.

(Em tempo, Lost sucks justamente por todos os motivos que Nove noites rules)

O café-da-manhã dos campeões, Kurt Vonnegut. Descobri esse escritor americano esse ano e não, ainda não li Matadouro 5, apesar do Ary, do TV e Cerveja, ter me prometido emprestado. Mas, O café-da-manhã do Vonnegut já é um aperitivo dos melhores. Muito engraçado, zoando com a ficção científica e usando a ficção científica pra zoar com todo o resto, sempre criticando tudo com ironia. Foda.

12 razões para amá-la, Jamie S. Rich e Joelle Jones. Bom, isso é uma HQ, não um livro. Uma dessas HQs moderninhas sobre pessoas tipo eu, você ou a Gorda. Gente normal e sem graça. Um casalzinho qualquer que se apaixona e discute, e isso e aquilo e fica junto, ou não. Bom para tardes melancólicas.

Isso aí, não consigo pensar em mais nada agora.

Vou só destacar a decepção do ano, levantando um alvo de néon brilhante para receber todo o hate mail possível: o sétimo Harry Potter, que é uma bela duma bosta. E eu não vou falar nada a respeito porque estou sem paciência hoje. Porém, es ist scheisse.

Besitos a todos, até a próxima, ou não.
(np: Roberta Sá, Samba de Amor e Ódio)


p.s. O primeiro engraçadinho que fizer um trocadilho com “Livros do (meu) anûs” ganha um pirofante albino usado.

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