Tolkien saiu do armário (?)

Aproveitando a falta de assunto e os feriados insanos em dias alternados, escrevo mais um postizinho caô com comentários de livros. Porém, desta vez, longe de ser mais um bando de comentários aleatórios amontoados ao acaso, este será um post específico sobre fantasia e ficção cientifica nacional (sim, isso existe), com coisas que li recentemente e coisas que li há algum tempo.

Ah, vale lembrar que já comentei sobre um livro de FC nacional por aqui, alguns posts atrás, o A mão que cria, do Octávio Aragão. O próprio autor se amarrou tanto nos comentários que me confidenciou estar escrevendo um romance sobre as Lhamas Mutantes Ninjas Adolescentes do Dr. Moreau.*

O arqueiro e a feiticeira, da Helena Gomes, é o primeiro volume de uma série. Sempre tive curiosidade de ler, mas só resolvi arriscar depois que vi o livro vendendo em um sebo. Infelizmente, não consegui passar da primeira frase.

A primeira frase é “Tolkien entrou na caverna”.

TOLKIEN. ENTROU. NA CAVERNA.

Até que seria maneiro se o personagem principal fosse o Tolkien (estilo Riverworld). Mas não, é uma homenagem mesmo. Sério? Tão sutil que eu quase nem notei. No way, dude, não dá pra levar na boa. Quando eu, com 13 ou 14 anos, escrevia minhas primeiras histórias, baseadas em aventuras de RPG estilo matar-trucidar-dividir itens mágicos, o grupo de personagens sempre era algo como Tolkien, Wolverine, Renato Gaúcho e Darth Vader, eu me amarrava em homenagens. Mas, tipo, existem maneiras mais sutis de prestar homenagens, cara. Pelo que eu entendi, o personagem só aparece no prólogo. Eu retomei a leitura em um capítulo seguinte, mas, a cada página virada, a sombra de Tolkien pairava sobre a trama. E se da próxima vez Tolkien acompanhasse C. S. Lewis? E se eles fizessem uma tocaia pra tentar emboscar o Michael Moorcock? Medo.

(Na verdade, isso acaba de me dar idéia pra um conto surreal)

Brincadeiras à parte, eu li alguns capítulos e cansou rápido. Tem algo a ver com órfãos e ciganos. Prometo algum dia dar outra chance ao livro. Ou não.

Viagem a Trevaterra, do Luis Roberto Mee, de 1994, é um livro que vários proto-nerds leram. Da época em que O senhor dos anéis era encontrado naquela versão de capa preta portuguesa (a que eu tenho, btw), que Tanis era um semi-duende e a referência em filme de fantasia era Conan, o Bárbaro, e não a bicha do Orlando Bloom com suas madeixas de cocker spaniel.

De repente, dar de cara com um livro de fantasia de um autor nacional era quase como se tivessem clonado um tiranossauro. Eu li o livro mais de uma vez, mas o meu cérebro juvenil reteve pouco. A idéia de um mundo onde existe um reino sem noites e um reino sem dias é de uma ingenuidade sensacional. E, ainda mais adequado ao conceito de fodice na minha mente púbere rpgística era o envio de uma party de heróis para roubar as sementes que seriam usadas no “plantio” de noites.

Admito que tenho um baita medo de a Regra dos 15 anos se aplicar, mas lerei o livro novamente em algum momento. Até porque tenho a continuação (Crônica da grande guerra, de 1995), presenteado e assinado pelo próprio autor. Brrr.

(Sim, esse é um parentêsis inusitado. O autor é amigo de um amigo de infância do meu pai, coisa que eu fui descobrir há alguns poucos meses. Muito boa gente. O restante da sua saga de fantasia, que começou com o Trevaterra e tem cinco livros, está concluído, porém tristemente engavetado – uma vez que ninguém parece se interessar por editar, infelizmente)

Os sete, do Andre Vianco. Resolvi descobrir qual é a do cara e comprei logo o livro mais famoso dele em uma dessas promoções do submarino.

Quando você começa a falar do livro se explicando que só comprou porque estava em promoção é um mau sinal, não? Right. O pior é que eu sequer tenho argumentos para debater, porque não consegui transpor a barreira das 20 páginas (aliás, que já começam contando a história de vida mega-piegas de um dos protagonistas). Talvez seja a minha antipatia inata por histórias de vampiro, culpa das baboseiras que eu me forcei a ler da Anne Rice e da histeria Crepúscula. People, vampires suck. Zombies are the new shit. Prevejo que vai aparecer alguém, vindo com o mimimi clássico de que eu estou com invejinha. O que não deixa de ser verdade. Portanto, sintam-se à vontade.

Agora, a hora do jabá!!

Exageros à parte, só digo que é “hora do jabá” porque conheço os autores dos livros seguintes, graças à vida boêmia da internet. Mas como ninguém está me pagando pra falar bem, tenho total liberdade pra espinafrar geral até o cu fazer bico!

O que não é exatamente o caso.

Anacrônicas – Pequenos contos mágicos, Ana Cristina Rodrigues. Um livreto curto (talvez curto demais) com coisas bem interessantes e outras nem tanto, mas que não comprometem um saldo final positivo. Vamos aos detalhes.

Tanto o conto de abertura quanto o que encerra o livro (É tarde e Apocalipse now) são ótimos. No recheio, contos bem interessantes, com algumas belas imagens (Princesa de toda a dor, Como nos tornamos fogo, Baile das máscaras) e outros que não parecem “dizer ao que vieram” (O senhor do tempo, Feitiço sem nome, Lenda do deserto), pois – na minha humilde opinião – falta um pouco daquele “punch”, no sentido da famosa analogia do Cortázar (que eu não vou reproduzir aqui pra não correr o risco de parecer inteligente).

Ainda em alguns contos encontramos excelentes idéias que gritam, exclamam e suplicam por um desenvolvimento mais aprofundado, tipo A casa do escudo azul (em uma Terra pós-apocalíptica em reconstrução, um indiana jones de saias caça relíquias da cultura pop, tipo exemplares do Harry Potter ou do Nerdquest **), que poderia muito bem ser um conto maior ou mesmo uma série de contos. Anyway, como eu disse antes, o saldo é positivo e é uma empreitada louvável. Para mais info e comprar o livro: Blog da autora.

Fome, Tibor Moricz. Fome trata de uma terra pós-apocalíptica onde o bicho realmente pegou. A civilização ruiu e a vida animal foi extinta. Os poucos humanos que sobraram recorreram ao bom e velho canibalismo para sobreviver em um mundo envenenado. Muito foda, não? E o resultado final é bem legal. A única coisa que me incomodou ao longo do livro foi a insistência do autor em “perturbar” e de passar o clima de angústia e corrupção que permeia o cenário. Acaba meio repetitivo, como se cada conto apresentasse o cenário do zero, daí uma perda de fôlego considerável após a primeira sequencia de contos. Mas isso não tira o mérito do livro, que constrói muito bem um climão tenso, desembocando em um final apoteótico. O ponto positivo vai pra Tarja Editorial, por ser uma editora que está mergulhando de cabeça nesse dúbio terreno de publicar fantasia e sci-fi. E o ponto negativo também vai pra Tarja Editorial, pela encadernação xexelenta do livro. Se alguém me pedir emprestado, posso até separar os contos por fascículos ou selecionar só os que eu gostei. Bom, acesse o site da editora para mais info e comprar o livro!

É isso ai, putada. É bom saber que existe vida inteligente na fantasia e FC nacional. Ao contrário da literatura nerd, que só tem tosqueira.

Bjundas.

* Isso é mentira. Eu invento coisas.

** Isso é mentira também. Mas vocês já sabem que eu invento coisas.

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2 Respostas to “Tolkien saiu do armário (?)”

  1. Mulher Atômica Says:

    aiee, eu n lembro se eu te respondi o mail q vc me mandou!!!
    eu quero seu livro sim, e vou comprar de vc. como faço??

    e eu quero MUITO ler a continuação de viagem a trevaterra, que eu achei tão bonitinho!! e sempre procurei os outros. não sabia que o resto da série não tinha sido nem editada.

    e olha, apesar de só ter lido o primeiro volume e de ser meio infantil… eu gostei um monte do segredo das pedras, da rosana rios e da eliana martins. se encaixa na sua listinha?

    beijos!

  2. kadriatus Says:

    Salve! Infelizmente tenho que discordar, apesar de utilizar o nome Tolkien, Helena Gomes criou uma história bem legal.
    Aconselho-o a ler, pelo menos, o primeiro livro da CAverna de Cristais. Caso não lhe agrade, bem… venda para um sebo.

    Mas a idéia é muito boa..

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