One life furnished in trash by Image Comics

Essse post (e vocês provavelmente viram pelo título) é baseado no conto do Neil Gaiman One life furnished in early Moorcok. O Fraga contribuiu com o insight via MSN (vocês iam se surpreender com a porcentagem ínfima de ideias que eu efetivamente tenho. Eu roubo coisas dos outros).

Isso vai ser uma mistura de relato, essay, memoir. Sei lá. Your call.

Aos onze anos eu era um nerd promissor. Sério, aquele moleque freak que os adultos achavam que era superdotado (HAHA, quanta ingenuidade), só porque havia lido uma porrada de livros sem desenhinhos. Senhor dos anéis, Fundação, Campo de batalha Terra, Brumas de Avalon. Eu juro que estava trilhando um caminho promissor – sério, nesse ritmo estaria lendo Ulisses aos 18.

(Tá, tô zoando, né? Mas captou o espírito?)

Eu já era viciado em HQs. Mas era um lance saudável, saca? Tipo só beber no fim de semana. Lia X-Men do Chris Claremont, o Conan do Roy Thomas, Vingadores da Costa Oeste do Bryne, Hulk do Peter David. Entre outros, vários outros. Mas ainda saudável.

Um belo dia, veio a Image Comics. Eu e meus amigos nerdizinhos ficamos insanos com aquilo. A gente já lia Marvel e DC há anos e de repente surgia todo um novo fucking universo de heróis. E o mais importante: era A MESMA MERDA, MAS DIFERENTE.

E sabe por que era diferente? A gente podia acompanhar desde o começo. Eu sei que isso parece meio estúpido agora, hoje em dia existem inúmeras editoras independentes com seus próprios universos e mesmo a Marvel e a DC têm trocentos universos caça-níqueis (na época eu acompanhava o Universo 2099 da Marvel, no máximo). Algumas séries da Image lançaram até edições número ZERO, não dava pra ficar mais “íntimo” de uma série do que isso. Era promissor. SÉRIO, EU JURO QUE NA ÉPOCA ERA.

Eu tenho todos os primeiros números – em inglês – de WildC.A.T.s, Cyberforce, Condename Strikeforce, Stormwatch, Wetworks. TODAS ESSAS MERDAS.

Então, na época que deveria estar adquirindo uma bagagem mais ampla de leitura, eu estava lá amarradão acompanhando cópias genéricas da Psylocke se engalfinhando com cópias genéricas do Wolverine. E achando tudo aquilo SENSACIONAL. Culpa de todo aquele exagero narrativo – tudo pasteurizado, pra assimilação fácil e cômoda. Um bando de ideias já esgotadas pelas editoras tradicionais sendo re-esgotadas por uma editora que posava de revolucionária. E o máximo de revolucionário eram as capas laminadas e mulheres seminuas (ou nuas – desde que os mamilos não aparecessem, tava valendo).

(Quando eu digo que não é pra levar minhas opiniões a sério, o que me vem à cabeça são os caixotes de revistas da Image enfiados no armário. Um dia vou jogar essa merda fora, eu juro)

E isso fez maravilhas pelo meu senso crítico. Hoje em dia eu desprezo toda aquela porcaria (exceção óbvia para os Wildcats do Alan Moore e o Stormwatch do Warren Ellis), mas admito que um dia achei aquilo tudo a coisa mais foda do universo. Provavelmente foi por culpa da Image que eu enfiei na cabeça que queria desenhar quadrinhos e acabei em uma faculdade de Desenho Industrial (em outras palavras, o meu maior FAIL em termos de vida, you know).

Mas sem ressentimentos.

Quando aquela febre passou e eu voltei, aos poucos, a ler literatura, as coisas mudaram. Estava mais malandro e mais exigente. Desdenhava as novelzinhas de Dragonlance que teria adorado alguns anos antes. E logo comecei a ler Wheel of Time e minha vida acabou (mas isso já é outra história).

Adoro encontrar culpados. Depois do RPG, foi a Image que arruinou minha vida. Talvez eu estivesse lendo Pynchon aos 18 anos se não tivesse começado a ler Cyberforce aos 15. É A VIDA.

(Olha o exagero de novo, mas vocês captaram. Vocês devem ter passado por esse “processo” de alguma maneira similar, a Image é o meu bode expiatório pessoal.)

E sabe o que é pior? Toda vez que tentam alguma reformulação caça níquel do universo Image (da Wildstorm, especialmente), eu estou lá. Vou ler pra checar o que fizeram.

Sim, sou uma puta imunda. YAY!

*

Não sei se era exatamente isso que o Fraga tinha em mente quando proferiu a máxima “A Image arruinou nossas vidas” no MSN. Mas se não foi (vai ver ele foi estuprado por um negão parecido com o Maul dos Wildcats), ele que escreva um post sobre o assunto.

*

A ideia é voltar a atualizar esse blog. Vou postar algumas resenhas de coisas que li mais ou menos recentemente (a saber: World war Z, Dreamsongs, The brief and wondrous life of Oscar Wao, Dreaming in Cuban, Persuasion, Annabel & Sarah, etc) e continuar roubando ideias dos outros no MSN para posts caôs como esse.

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3 Respostas to “One life furnished in trash by Image Comics”

  1. Carol Rodrigues Says:

    Se vc, se va, se fue… Mudastes o blog =)

  2. Pedro Fraga Says:

    Era mais ou menos isso. A questão é que back in the 90s não rolava um acesso bacana a diversas coisas no Brasil, ainda estávamos sujeitos ao que editoras (seja de quadrinhos, seja de livros) achavam que devíamos ler. A internet ainda não tava aí (bem, pelo menos não a internet banda larga com fácil acesso a quadrinhos bons e pdfs de livros) e precisávamos pagar duas semanadas pra comprar um livro qualquer.

    Nos restou a Image.

    Que puxa.

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