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Clebynho, O Babalorixá Aprendiz

novembro 25, 2010

Existe uma prática bastante em voga no meio literário (e com especial difusão no fandom de FC e fantasia, diga-se de passagem) que é o costume de *falar bem do livro do amiguinho*. Jurei que nunca iria aderir a esse pérfido costume, mas até aí creio que seja mais porque não tenho amigos. Só me relaciono com alcoólatras semi-analfabetos, no geral. Então tá tranqs.

Mas hei de quebrar minha regra de ouro. E, como sou facinho, sucumbi por meia dúzia de cervejas. Então, é isso aí, todo mundo tem seu dia de chapa branquice: VOU FALAR BEM DO LIVRO DO MEU AMIGO.

Errr. I mean. Calma aí. Não exageremos também.

Publicado esse ano, Clebynho, O Babalorixá Aprendiz, de Leandro Muller, foi concebido em uma tarde de cerveja. E vocês sabem o que dizem por aí: as ideias que nos surgem enquanto ébrios não servem quando recuperamos a sobriedade. Pois é, ESTÃO SUMARIAMENTE ERRADOS, esses tristes fracassados. (Deixei a rima de propósito).

Clebynho surgiu da premissa de se apropriar e reescrever a fórmula de vocês-sabem-quem pra uma realidade brasileira e o contexto das religiões afro-brasileiras, mantendo a orientação infanto-juvenil da obra original. Embora a questão de “original” seja espinhosa – e irrelevante – por aqui, Clebynho é tão cópia de Harry quanto Romeu e Julieta é cópia da Giulietta e Romeo de Matteo Bandello, por exemplo.

Ainda assim, nobres defensores da altivez de nossa literatura irão se manifestar, e a eles digo que podem muito bem cheirar meu ovo.

De cara, Clebynho tem uma pegada mais infanto do que juvenil. A condução da narrativa vai parecer bem familiar aos fãs de J. K. Rowling. Em diversos momentos, a reescritura, que pode a princípio parecer uma mera transposição, toma ares de paródia – embora essa claramente não seja a proposta do autor, que está mais próxima de uma “recontextualização”.

Clebynho é uma criança do subúrbio do Rio, oprimido pela tia-avó e sua ditadura da “ciência”, uma ciência estéril, que bane qualquer fantasia. Até – tcharam – receber a convocação para estudar na escola mágica de Peji Ag-Baji. É moleza chegar lá, você toma o trem lá na Central e salta em Realengo. Sem frescura. Lá, Clebynho e seus novos amigos são divididos entre as linhas de estudo, que aqui têm como patronos escritores consagrados do nosso combalido cânone (olha a derrocada aí). Clebynho vai parar na linha de Ayié, com Machado de Assis como patrono, caláro.

Daí pra frente, sem querer adiantar muita coisa, a história se desenrola com as aventuras de Clebynho e cia, até o esperado clímax – sim, as forças do mal querem invocar o suposto arqui-inimigo Exu Penhauer.

Gostei muito da ambientação calcada nas religiões afro-brasileiras. Desde o uso do idioma iorubá até a maneira como o Leandro deixa implícito que o Exu *não* é mau e *não* deve ser encarado como vilão – tema que o autor pretende abordar mais a fundo nos livros posteriores.

E – PAUSA DRAMÁTICA – TEM UM PEIXE-BOI VAMPIRO – PAUSA PRA RESPIRAR.

Outro ponto altíssimo do livro: não tem um esporte inventado ESCROTO com regras completamente SEM SENTIDO E ESTÚPIDAS.

Agora vamos criticar, que se não a casa perde credibilidade. Pessoalmente, achei o clima do livro um pouco infantil demais, o tom às vezes beirando um caráter pedagógico, com o Clebynho sempre se esforçando para fazer “a coisa certa” e tudo mais. ObÓvio que em um livro voltado para o público infantil esperam-se personagens menos “cinzas”– então não sei dizer até onde isso realmente é um defeito – mas a mim, adulto e amargo, soou forçado. Já comentei com o Leandro, que me respondeu que a ideia é fazer o Clebynho amadurecer aos poucos e ir tornando a sua história mais complexa e independente da sombra do alterego British. Estou ansioso pra ver, sinceramente acho que a série (sim, há outros livros planejados) só tem a ganhar.

E estou ansioso também pra ver quando vão aparecer zumbis (zumbi + macumba = tudo a ver).

O crossover entre o Brás Cubas Zumbi (aka Zumbrás) e o Clebynho já está planejado. Clebynho precisará de umas aulas de reforço de português e fará um ebó boladão pra invocar o professor particular mais extraordinário de todos os tempos: o Brás Cubas zumbi, claro, que, de vez em quando, para complementar a renda proveniente dos direitos autorais de suas Memórias (as Póstumas e as Desmortas), dá aulas particulares para os alunos de Peji Ag-Baji.

Adios, bitches

(NP: Roberta Sá & Trio Madeira Brasil, Orixá de frente)

Mais Zumbrás (de leve)

novembro 19, 2010

Bom, passada a derrocada, já está mais ou menos na hora de começar a colher (alguns) frutos, e mostrar por aqui.  Seguem as resenhas que saíram sobre o Memórias Desmortas (se eu esqueci alguma, avisem, sou meio desleixado pra caralho mesmo):

Pelo @JotaFF na Toca do Jota

Pela dear @anacarolinars no Leitura Escrita

No Arena Fantástica

Pelo @leotriandopolis no  Liber Imago

E o @ALuizCosta resenhou o Cyberpunk – Histórias de um Futuro Extraordinário em sua coluna na Carta Capital. O meu conto é meio drogas (e provavelmente vai desagradar os fãs mais conservadores), mas eu fico feliz que ele tenha sacado o espírito da brincadeira. Leiam aqui.

E a @Anacriscrod falou um pouco sobre essa suruba entre os rótulos mashup e ficção alternativa. Já que ninguém ainda inventou a nomenclatura oficial, a galerinha por aí já tá chamando urubu de meu louro. Vai lá no FC e Afins .

Updeitarei essa joça em breve (riight, quem eu quero enganar? – mas juro que tentarei), porque sinto que é meu dever traçar algumas linhas sobre o (já) clássico Clebynho: O Babalorixá Aprendiz, do genial Leandro Muller e, posteriormente, sobre o novo épico megalomaníaco do Brandon Sanderson, The Way of Kings, que estou terminando de ler (mas que nunca acaba, é bizarro).

Ah, e criei um Formspring – pra variar, com anos de hype atrasado – só pra ter outra coisa pra não atualizar na internet: http://www.formspring.me/nerdquest

Bjundas!