Mais coisas legais para ler e/ou os meus livros de 2010

O ano está acabando e minhas leituras também (pretendo deixar a literatura de lado em prol do videogame, pelo menos até o fim do ano, né). Então, como estou me forçando a atualizar esse blog chinfrim com um arremedo de regularidade, vou listar os melhores livros que eu li no ano e fazer alguns comentários randômicos.

Confederacy of dunces (Uma confraria de tolos), de John Kennedy Toole, é simplesmente genial. Já vou avisando que é bem difícil contar o plot do livro. Não acontece muita coisa, at all. O protagonista é Ignatius Reilly, um Dom Quixote ainda mais perturbado das ideias, especialista em filosofia medieval e com um radical desdém pela cultura pop – que faz com que ele vá constantemente a filmes e shows que abomina, só pra exacerbar sua raivinha (embora, mesmo com todo o desprezo pela cultura pop, ele frisa respeitar o Batman, o cara nao é bobo). O plot se resume – mais ou menos – a Ignatius fazendo de tudo para não precisar arranjar um emprego (uma vez que ele é sustentado pela mãe e foi demitido da faculdade onde trabalhou por um breve período) enquanto destila sua repulsa contra todo mundo que ele considera mongoloid (e sim, esse é o termo ofensivo que o próprio Ignatius usa).

Confederacy teria sido o livro mais foda do (meu) ano se eu não tivesse lido O paraíso é bem bacana, do Andre Sant’anna, agora em dezembro. Cheio de experimentalismos e pós-modernismos da vida, é um livro fenomenal. Através de vários narradores (e de uma narrativa aparentemente caótica, mas que de desorganizada não tem nada) conta a história de Mané, um moleque fudido da cabeça que só sabe fazer duas coisas: tocar punheta e jogar bola. Porém, assim que a narrativa começa, descobrimos que o pobre Mané está em uma cama de hospital, todo estropiado, pois se explodiu (ou se martirizou em nome de Alá) durante um jogo de seu time na Alemanha – onde fora jogar. A trajetória do menino punheteiro bom de bola até o homem bomba na Alemanha é genial, tensa, engraçada, triste, patética, de tudo um pouco – e o brilhante monólogo ensandecido nas páginas finais do livro é completamente mindfucking.

Estrela distante foi o Bolaño que eu li esse ano (mantenho a média de um por ano, pra não gastar, pô). E em todos os anos o Bolaño do ano entra na lista do que eu li de melhor. Não sei se prefiro Estrela distante ou Noturno do Chile, curti ambos imensamente. E como o Bolaño já tem hype suficiente, não preciso me alongar aqui. Leiam Bolaño, porra.

Vamos sair um pouco do mainstream e passar pra genre fiction. Não vou falar de China Miéville e Angela Carter porque (provavelmente) farei o meu mestrado sobre ambos, então tenho muuuito tempo ainda pra falar deles. Mas, fora Carter e Miéville, li pouca coisa realmente excepcional em ficção cientifica e fantasia (mas já citei o The way of kings, né?). Bom, pelo menos li Rendezvous with Rama.

Rendezvous with Rama (Encontro com Rama), do Arthur C. Clark, é daqueles livros de FC que se tornaram canônicos e – ao contrário de dezenas de outros – se mantém firme e forte contra the test of time. Não vou ficar falando aqui de livro que todo mundo conhece (ou tem a obrigação de conhecer o mais rápido possível), mas é ótimo topar com uma FC dos anos 70 que continua (bem) relevante. Mas já me alertaram pra ficar longe das continuações, e ficarei. Hehe.

E as menções honrosas que eu estou com preguiça de acrescentar: Sábado não foi o melhor livro do Ian McEwan que já li (e nem o pior), mas ainda assim tem seus momentos brilhantes; Catch-22 (Ardil 22), do Joseph Heller, por vezes parece um pouco longo demais, mas nem assim deixa de ser excelente.

E as decepções do ano ficaram para A) Boneshaker (Cherrie Priest), que é um puta de um high concept (história alternativa envolvedo a Guerra Civil americana, steampunk e zumbis!), mas é mal executado pra caralho. Narrativa frouxa, personagens rasos (e sem carisma nenhum), clichês idiotas. BAH; B) Yellow Blue Tibia, do Adam Roberts, é outro puta high concept (logo depois da 2ª Guerra, Stalin chama um grupo de escritores de ficção cientifica da URSS para conceber uma história de invasão alienígena, que seria usada como fachada para manter a URSS unida contra um inimigo comum (aliens radioativos!), assim que os EUA fossem destruídos), mas não rola também. Fora as 50 primeiras páginas (geniais), e um ou outro momento, o livro parece um conto que foi esticado para virar romance, cheio de encheção de linguiça mal engendrada.

Até o ano que vem.

(Ah, lembram-se que eu falei em colocar o Ary e o @pedrofraga pra postar resenhas trolls aqui? Nem sei se vai rolar, porque o Ary comprou um Xbox e o Fraga é uma biscate preguiçosa)

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Uma resposta to “Mais coisas legais para ler e/ou os meus livros de 2010”

  1. Carlos Eduardo Cordeiro Says:

    Oi, estou vendendo um exemplar de Uma confraria de tolos se te enteressar: http://migre.me/5V3ZB

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