Archive for the ‘Música’ Category

Absolution

dezembro 15, 2008

A Mojo Books é uma editora que publica e-books baseados em discos. É uma proposta bem interessante, com resultados cheios de altos e baixos, evidentemente. Bom, não estou fazendo propaganda porque andaram me mandando brindes, e sim porque a Mojo recentemente publicou um conto meu, baseado no disco Absolution, do Muse, e que você pode baixar no link abaixo, é digratís:

http://www.mojobooks.com.br/mojo_inteira.php?idm=175

Bom fim de ano a todos e divirtam-se. Afinal, alguém tem que se divertir enquanto a UERJ suga a minha vida em pleno verão. E se me permitem sugerir, dêem Nerdquests aos amigos e parentes nesse Natal. (Bom, eu não podia perder essa chance).

Bjundas!

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Por um TIM Festival menos ordinário!

julho 18, 2007

Esse post é só pra engrossar o coro de insatisfeitos com o cast até então anunciado pelo TIM festival. Tô com a Gorda e não abro. De que vale a Bjork (de novo, por que não a Tori Amos??), e chover no molhado com Artic Killers, Juliette and the Lewis, etc etc?

Assim como a Gorda, ilustro a minha insatisfação com um vídeo de Rodrigo y Gabriela, a coisa mais foda já produzida pelo México*, mas ainda sem hype suficiente para vir tocar no TIM festival (ainda!).

Por um festival menos ordinário, Rodrigo y Gabriela com Tamacun.

*depois do Cafe Tacuba e da mescalina.

That Stupid Soundtrack Meme!

março 30, 2007

Não resisti a postar essa brincadeira estúpida. Mas é a primeira e última vez que uso o blog para tal futilidade. (HAHA, vai nessa)

Vou explicar: nesses tempos modernos encontra-se um oráculo em cada esquina (a não ser que seja a esquina do Mundo Verde, daí você topa com uns trinta oráculos e chá verde). Porém, o mais divertido descendente de delfos está aí no seu computador, é o seu Winamp (ou Media Player, whatever).

Ponha todas as suas mp3s pra tocar, no modo shuffle, e a partir daí, descubra qual é a trilha sonora da sua vida, cortesia da infinita sabedoria do seu audio player! (E funciona melhor se você tem infinitos giga de mp3 que nunca sequer ouviu, por exemplo).

(Descobri a brincadeira através desse blog nerd, encontrado aleatoriamente hehe)

Afinal, não resisti, aí vão minhas tracks e alguns comentários, embora sem questionar a sabedoria do grande oráculo.

Opening Credits:
I Still Remember”, Bloc Party. Rola aquele climão, bem início de filme americano de highschool. Não sei se isso é bom ou é ruim, já que daí pra frente o negócio pode degringolar pra um terror adolescente sanguinolento, uma comédia mongol escatológica ou algum filme perturbado dirigido pelo Gus Van Sant. Veremos.

Waking Up:
“Jealous Girls”, The Gossip. Que porra de soundtrack modernoso é esse? Eu tenho 10 giga de Café Tacuba e só toca rockizinho alternativo? Anyway, essa banda é legal e realmente tem aquele clima do personagem principal (eu) acordando de manhã e indo pra minha highschool na Califórnia. Nem prestei atenção na letra, pra não me assustar com os desígnios do Winamp.

First Day At School:
A Garota Mais”, Wonkavision. Essa música é genial, mas não combina lá muito com a premissa de ‘Primeiro Dia na Escola’. Até porque a última coisa que o jovem Pedro iria pensar no primeiro dia de aula seria se casar com a garota mais afudê do mundo. Mas vá lá, o jovem Pedro não era lá um jovem muito normal. Quem sabe… ?

Falling In Love:
Cambodia”, Apoptygma Berzerk. Tava demorando pro Winamp escolher alguma coisa que eu nem sequer ouvi (viu? Quem manda baixar mp3 compulsivamente?). Não consigo me ver “flying to Cambodia” e falling in love com uma cambojana, contudo, como já foi observado anteriormente, não sou lá a criatura mais normal do mundo.

Fight Song:
Twinkle”, Tori Amos. Ok, ok. Vamos combinar que, sejam quais forem meus inimigos, lutar ao som de Tori Amos é pura poesia. Ainda mais uma música só com piano e voz. Bom, fica a minha sugestão, a peleja tem que ser algo no estilo Clã das Adagas Voadoras, e eu espero estar enfrentando zumbis com uma serra elétrica.

Breaking Up:
Salir Corriendo”, Amaral. Finalmente, chegou o momento em que eu termino com a cambojana mais afudê do mundo. E nada melhor que a Amaral, cantora espanhola que só compõe hits candidatos à trilha sonora de novela. Olha só: “Cuántos peces tienes que pescar / Para hacer un desierto del fondo del mar?”. Fico feliz em dar um pé na bunda daquela cambojana sem-vergonha ao som da minha diva pop espanhola predileta.

Prom:
Pressure Point”, The Zutons. Canção divertida de uma banda divertida. Imagino a pressão que o baile de formatura tenha se tornado para o adolescente Pedro, após tudo que tem passado. Faz sentido. E pelo trecho “I’ve acted so well, ain’t been cheating, there’s nothing to tell”, descubro que provavelmente era a cambojana imunda que estava me traindo!! Afinal, eu que era o bonzinho otário da relação, fazia tudo direito e etc e tal.

(HAHAHA, Winamp, seu velho maroto, tô te devendo uma.)

Life:
Son of a Preacher Man”, Joan Osborn. A parte “the only boy who could ever reach me...” levanta sérias dúvidas à minha sexualidade. Digamos que esse era um episódio reprimido da minha tenra infância, trazido a tona pelo excesso de ponche sem álcool no baile de formatura.

(Maldito Winamp, logo quando eu resolvi te elogiar?)

Mental Breakdown:
The Walk”, The Cure. Claro, cai como uma luva. Minha crise nervosa, ocasionada pelo filhadaputa filho da porra do pregador, tinha que ser acompanhada por The Cure. O pior de tudo é que a letra ainda diz “in an instant I remember everything”. Valeu, isso aqui está fugindo seriamente do meu controle (só criativo, por enquanto).

Driving:
Cordão”, Chico Buarque. Puta merda, quem dirige ouvindo Chico Buarque? No trânsito do Rio eu certamente não estou. Acho que interpretei mal o nome da seção, não estou dirigindo um carro, e sim uma espaçonave atochada com todas as ogivas termonucleares da União Soviética – a todo vapor em direção ao Sol.

Flashback:
De repente, o Winamp abre o Pimsleur, curso de russo em mp3 (eu sei falar spaceeba e tovarisch). Caralho, pelo menos a porra do meu flashback é em russo.

Getting Back Together:
Exit Music”, Savatage. Bom, fiquei até emocionado. Música instrumental do Savatage. Bem farofada para um getting back, embora paradoxalmente chamada exit music. Já aviso que não estou voltando com a cambojana ordinária, e sim com a russa do meu flashback, ok?

Wedding:
Simple Things”, Zero 7. Conheci essa banda pela trilha sonora do Garden State (Hora de Voltar, em português, filmaço com a trilha sonora quase tão boa quanto a minha). O som tem um clima meio ambient, meio trip hop, downtempo ou seja lá como se definem estilos musicais para que soem cool hoje em dia. Seria um casamento meio melancólico pro meu gosto, pelo visto sem álcool. Talvez a russa fosse uma espiã da KGB pretendendo me influenciar a utilizar meu gênio criativo em prol da URSS. Medo.

Birth of Child:
Rock is Dead”, Marylin Manson. Ótimo, vou ser pai da porra do anticristo.

Final Battle:
Television, Television”, Ok Go. Bom, depois de uma primeira batalha poética ao som de Tori Amos, aqui temos algo mais animado, um estilo Buffy: The Vampire-Slayer. Provavelmente estou enfrentando os ninjas-demônios que vieram seqüestrar o pequeno anticristozinho dos braços do papai aqui. Nah, nah, nah, ninguém leva o pequeno anticristozinho, vai todo mundo entrar na porrada.

Death Scene:
Stash”, Phish. Bom, eu morro ao som de Phish, e uma música esquisita que é uma cruza de jazz com bossa nova e umas pitadas latinas. Genial, genial. Digamos que terei uma morte misteriosa e dúbia e que em breve eu ressuscite como o espírito da vingançaou algo que o valha.

Funeral Song:
6 Underground”, Sneaker Pimps. Interessante e apropriado. Tipo, funeralenterradounderground… éin? éin? Sacou? Esse fraco por trocadilhos ainda vai ser a minha ruína. Hehe.

End Credits:
Ghost of Perdition”, Opeth. Justamente uma das poucas músicas com trechos mais déti metal do Opeth resolve tocar nos meus créditos finais. O que isso significa? Metal nos créditos, pra deixar nego bolado? Não, provavelmente significa que os direitos para a continuação já foram vendidos! Basta só contratarem algum incompetente para escrever um roteiro onde eu retorne como espírito da vingança ou spawn, a cria do inferno!! Sim, é claro! Tudo se encaixa, ó céus.

Então, o balanço final é estranho. De acordo com a minha interpretação da trilha sonora desse filme-vida, me apaixono por uma cambojana, tomo uma bela duma chifrada, termino com a vadiranha, faço regressão não-alcoólica despertando episódios homossexuais da minha tenra infância e, por fim, me caso com uma russa, meu velho amor dos tempos de KGB. Para completar a odisséia, sou pai do anticristo e morro lutando contra uma horda de ninjas-demônios. Garanto que se me deixassem desenvolver mais um pouco, eu encaixaria os zumbis e a a nave com as ogivas nucleares, mas falta-me paciência. Hehe.

Obrigado, ó caprichoso oráculo dos audio players.

Agora, duvido que você, que conseguiu ler essa baboseira até o final, não vá fazer a mesma coisa. HAHAHA.

(np: precisa mesmo?)

And the Oscar goes to… The GATHERING!

março 6, 2006

Bom, não tenho costume de escrever posts aleatórios, mas esse é um caso excepcional. Tenho que registrar em algumas breves linhas o êxtase supremo que foi o show do The Gathering (ai, eu sou tão péla-saco que vou esfolar a porra toda).

Sim, foi foda pra caralho. Acho que só quem é fã dessa banda vai entender a proporção da fodice que foi o show. Uma pena serem tão desconhecidos fora do meio heavy debilmetalóide (que não tem absolutamente nada a ver com o som da banda há muitos anos, sinto muito).

A tarde de autógrafos, apesar da zona, valeu a pena. Troquei meia dúzia de palavras com a baixista (que eu chamo de Blé, graças a minha inabilidade para decorar nomes bizarros), depois de ela ter elogiado minha camisa nova do Radiohead. (Fruto do shopping frenzy na Galeria do Rock).

Foi algo como (estou traduzindo pro português pra vocês, sem cobrar nada):

– Ah, eu amo essa banda!
– Bom, acho que eu devo ser o único fã do Radiohead no meio de toda essa galera aqui…
– Ei, o único não, a gente também gosta!

Toda simpática, pena que nesse momento a inspetora da tarde de autógrafo me bateu e disse que ia me botar de castigo se eu continuasse conversando com a banda.

Pior depois, quando fui falar com a Anneke, lá estava eu, perante a própria, e ela comentou praticamente a mesma coisa, apontando pra minha camisa:

That´s a great band!

Infelizmente, devo confessor que fiquei sem reação. Subitamente, toda a minha capacidade de comunicação verbal, assim como meu inglês, involui para o nível Don Lázaro Venturini e a única coisa que eu poderia fazer era balbuciar entre dentes algo como “eeeeu preeeefiiiiro meeeelão” e apertar minha bolinha de fisioterapia, salivando pelo canto da boca.

Contudo, tudo correu bem. Um agradecimento especial para a Julimoogle, que foi quem avisou: “aí mané, vai com essa camisa do Radiohead que você vai ter motivo pra bater papo com a banda”. Dito e feito. Também, entre um monte de estampas coloridas com capas de cds de Épicas e Kamelots da vida, certamente eu ia destoar um pouco.

Antes de perder a oportunidade, sei que deveria (e serei) eternamente grato aos malucos do Ashtar (banda que abriu o show) por terem trazido o The Gathering pro Brasil. Mas, pelamordedeus, os caras são uma banda brasileira de metal-folk-celta-whatever. Tão relevante quanto um cover russo do Katinguelê (bom, nesse caso seria maneiro a título de curiosidade mórbida. E por uns 30 segundos, não mais).

São Paulo. São Paulo é estranho, mas legal. Só não gosto de nego me chamando de mano. Mano de cu é rola, bróder.

Besitos a todos.

Jabá, rádio e lhamas

fevereiro 13, 2006

A revista Veja, meses atrás, publicou uma reportagem interessante sobre a prática do jabá pelas gravadoras dos EUA. É algo fora da realidade pra nós ler que lá fora os jabazistas estão sendo devidamente punidos, com multas de alguns milhões de dólares aplicadas às gravadoras e às rádios que aceitam essa nefasta prática. Surreal, já que enquanto isso, aqui no Rio (e no Brasil), as gravadoras dão iPods de presentes aos felizardos jornalistas e DJs que foram agraciados com o trabalho de escutar o CD novo da filha da Elis Regina.

Mudando o referencial geográfico.

Quando estive no Chile, tinha o costume de passar o dia todo com la radio prendida. Do outro lado da cordilheira eles têm rádios para todos os gostos possíveis, chega a ser impressionante a variedade de estilos que se escutam nas rádios santiaguinas. Desde o metal alternativo que não toca em rádios normalmente, tipo Tool; até progressivo, como Marillion, ELP e Flower Kings. Sem contar que se ouve muito rock alternativo inglês, Suede, Pulp e a maioria das bandas indies bombam. E até dá pra escutar coisas mais inusitadas, como Warrant. Tudo isso nas rádios.

E em algum momento escutei uma banda chilena que tocava bastante e era uma versão em espanhol do Blink. Por mais que eu não seja lá muito fã, a letra era engraçadinha e me interessei em buscar o CD.

A resposta que ouvi foi: “vai ter que ver no site ou em show, porque essa banda é independente.”

Minha reação automática foi: “Como assim?!”, estava dirigindo e quase joguei o carro em cima de uma simpática lhama que atravessava a rua pastando tranquilamente.

(Tá, não existem lhamas pastando nas ruas de Santiago, pra minha enorme decepção. Quase processei o governo chileno por propaganda enganosa, mas descobri que era tudo produto de alguma fantasia doentia minha. Bom, eles também acham que nós temos gangues de macacos saqueando as pessoas, então estamos quites).

Tipo, como assim uma banda independente estava com um single tocando desvairadamente no rádio? Eles tinham lá os seus contatos, claro, todo mundo tem. Mas a música tocava no rádio quase como se fosse a nova do CPM22 na Rádio Róqui do Rio.

Levantei essa questão, com meu portunhol indefectível, e chegamos a algumas conclusões após uma análise minuciosa. Nem tudo são flores no país de Neruda e Allende, tem muito lixo lá também, que nem aqui. Tem bandas de Axé com espírito super-brasileiro, tem Alexandre Pires em espanhol (o cara é o rei das empregadas lá também), tem – acreditem no seu colunista favorito – Kelly Key e Eguinha Potocó, essa última tocada por uns gaiatos que certamente não estavam pagando direitos autorais pro “compositor” da “canção” original.

Entretanto, o mercado chileno é minúsculo se comparado ao brasileiro, portanto me disseram que as gravadoras deveriam ser menos gananciosas. Acho isso um pouco ingênuo, mas tudo bem. Ao mesmo tempo, existe um mínimo de crédito, dado pelas rádios em geral, ao cenário alternativo/independente. E, por último, lá se rouba, mas se rouba mais moderadamente. Claro que existe jabá, mas explicar que se deve a diferença do tamanho do mercado é muito simplista. O Chile inteiro cabe em São Paulo, mas por isso as gravadoras iam deixar de se esforçar pra empurrar seus peixes, especialmente lá, que o mercado proporcional de rock é bem maior que aqui?

(Estou falando especificamente de rock porque é a única porcaria que eu ouço, não posso falar do jabá nas rádios de música erudita medieval).

Bom, estamos no Brasil. Fazer o quê? Aqui não temos escrúpulos para praticamente nada, seja o mensalão do governo ou o mensalinho das gravadoras. Como já dizia Pero Vaz de Caminha, “nesta terra, em se plantando tudo dá”, e todo mundo quer alguma migalha da torta, seja o DJ que vai tocar a nova do Los Hermanos até nossos ouvidos sangrarem, sejam as gravadoras que vão estar empurrando qualquer bosta que tenha um bom produtor por trás e um refrão assoviável.

O que fazer para tentar policiar essa mamata? Eu li em algum lugar uma sugestão interessante –

(Interlúdio. Oitenta por cento do que escrevo, eu li em algum lugar ou ouvi alguém comentar. Apenas reproduzo e fico com o crédito pra mim, enquanto todos vocês acham que eu tenho idéias super originais. Fim do interlúdio).

– A sugestão era legalizar o jabá. Anunciava-se na rádio o “Horário do Jabá” (com aquele barulhinho de caixas registradoras no fundo, pra ficar estaile) e pronto, tocava logo meia hora seguida de Felipe Dylon.

Depois dessa meia horinha (e de um surto de suicídios em massa na cidade) a rádio podia seguir a programação normal.

Assim, as rádios não abririam mão de seus presentinhos e nós seríamos menos lesados. Talvez desse modo esses desgraçados não tocassem a mesma merda o dia todo. Talvez não, sei lá.

Nem sei por que eu me preocupo tanto, nunca vai tocar Frank Zappa na rádio mesmo.

Bah.

(Mais um texto escrito para o pseudo-site de música da minha estimada amiga Mariana. Meus delírios de crítico musical se acentuavam cada vez mais, infelizmente o site morreu mesmo. Pelo menos eu tenho algum material pra postar aqui. A propósito, a bandinha punk se chama Tronic e a musiquinha q tocava na rádio era Otra Vez. Besitos a todos.)

Sobre o disco novo da Pitty e a minha falta de vergonha na cara

janeiro 5, 2006

Essa coluna é baseada em fatos reais, levemente distorcidos em nome de uma narrativa mais divertida. Mas a essência é absolutamente verdadeira.

(Os nicks originais foram mudados para manter o anonimato dos meus amigos em questão)

Arranjei o CD novo da Pitty há pouco tempo, exclusivamente porque li em algum lugar que o disco teria alguma influência de Mars Volta, uma banda esquisita que eu me amarro. Ouvi sem muita expectativa (não tenho nada contra o primeiro álbum dela, até que tem umas músicas divertidinhas), mas me surpreendi. O disco está legal (o que é um level acima de “divertidinho”).

O MSN novo tem aquela função maldita que mostra pra todo mundo o que você está ouvindo. Não tem erro, se tá tocando aquela única música da Avril Lavigne que você gosta, todo mundo vai achar que você só ouve Avril Lavigne.

Eu botei o CD da Pitty pra tocar durante uma tarde em que eu estava em casa de bobeira. Aliás, eu sempre estou em casa de bobeira, fazendo coisas super proveitosas, como escrevendo um romance épico de fantasia medieval erótica em 29 volumes de 6 mil páginas cada (ainda estou no prólogo, eu escrevo devagar). A segunda música estava tocando, justamente a que está sendo massacrada na Rádio Róqui, quando uma janelinha do MSN começou a piscar. Era certo amigo fuligíneo da faculdade, integrante da minha cota racial para amigos de minorias discriminadas. A mensagem foi a seguinte:

Preto diz:
Vieira, que porra eh essa??? tá voltando à fase de rebeldia reprimida adolescente?

Respondi que ele ia se surpreender e que o CD era legal. Recebi uma resposta enigmática:

Preto diz:
Jah ouvi… achei o cd meio pretensioso

Como assim? As suas bandas preferidas são Los Hermanos e Cordel de Fogo Encantado e você vem me dizer que a Pitty é pretensiosa?! Adicione meia dúzia de palavrões e xingamentos raciais configurados como crime (inafiançável e que não prescreve, diga-se de passagem), abrevie o “você” para “vc” e foi exatamente o que eu escrevi na hora.

Ele tentou se explicar, mas até agora não entendi onde o infeliz queria chegar. Disse que era um rockzinho metido a pesado, que não passava de música pra pré-adolescente ouvir na Rádio Róqui (o que é mesmo, pra que negar?), mas não consegui entender de onde veio o “pretensioso”. Até por que eu acho que todo artista tem mesmo que ser pretensioso, alguns conseguem alcançar bons resultados, outros não, mas a graça do jogo é apostar alto não é? Pra que você vai querer 24 territórios se pode conquistar o mundo?

A discussão terminou com esse que vos escreve gritando algo como “maldito preto preconceituoso!” (isso dá cadeia?). Eu sei muito bem que é música de adolescente, mas tem que ser ruim só por isso? Nego já joga no mesmo saco de bandas como Dibob e Charlie Brown Jr –

(Interlúdio. Essa última é a banda que eu mais odeio no planeta Terra, não consigo escrever esse nome sem me sentir compelido a alardear isso, mesmo que ninguém queira saber. Detesto aquela bosta e não me perguntem os motivos, podia escrever uma tese de mestrado sobre o assunto e não esgotaria meu ódio. Fim do interlúdio.)

– Bom, e acabam chegando a essa conclusão sem nem querer julgar, já que se você escuta Los Hermanos, Pedro Luís e Cordel de Fogo no Rabo, o seu nível está acima de coisas como a Pitty. Eu desisto.

Logo outra janela começa a piscar. Agora é minha assessora para assuntos doom-metálicos. A mensagem continha apenas uma única e contundente palavra, escrita na língua de Shakespeare para me atingir no âmago com seu impacto devastador:

Lady Moogle diz:
shame

Essa moça só escuta The Gathering e Anathema. Aliás, é engraçado o pessoal metaleiro que se amarra em Anathema e não gosta de Radiohead. O Anathema – uma banda muito boa, por sinal – foi mudando de estilo, de fininho, até ficar igual ao Radiohead! Eles enganaram os fãs tão bem que eles continuaram fãs da banda mesmo sem gostar de Radiohead. Amazing.

(Estou divagando novamente. Mas pelo menos é algo sobre música e não sobre lhamas).

Disse pra minha amiga que o disco era bom, que tinha influência de Mars Volta. (Pra dar credibilidade é sempre bom tacar o nome de uma banda estranha que todo mundo já ouviu falar mas ninguém conhece; experimentem, sempre funciona.) Ela não gosta de Mars Volta, acha que é progmetal neurótico, e também não acreditou que fosse verdade (até por que é meio exagero comparar Pity com Mars Volta…)

Meus argumentos não surtiram o menor efeito, e a discussão terminou com um singelo:

Lady Moogle diz:
(Smiley vomitando enojado)

Acho que eu nunca ia poder ser advogado, tenho a faculdade inerente de não ser levado a sério em hipótese alguma, seja quando digo que Pitty não é de todo ruim ou quando garanto pra minha mãe que estou procurando emprego. É algum tipo de marca de Caim loser.

Acho que nem quem me lê me leva a sério. Estão todos aqui pelo sexo e violência gratuitas. Ora bolas.

Pedro Vieira diz:
(Smiley nerd rindo)

(Esse texto foi originalmente escrito para uma amiga, que cometeu a sandice de me convidar pra escrever uma coluna em um site de música. Estou aproveitando a atual falta de produtividade pra postar aqui, mas quando o site vingar eu venho fazer propaganda.)