Archive for the ‘Quadrinhos’ Category

One life furnished in trash by Image Comics

abril 12, 2010

Essse post (e vocês provavelmente viram pelo título) é baseado no conto do Neil Gaiman One life furnished in early Moorcok. O Fraga contribuiu com o insight via MSN (vocês iam se surpreender com a porcentagem ínfima de ideias que eu efetivamente tenho. Eu roubo coisas dos outros).

Isso vai ser uma mistura de relato, essay, memoir. Sei lá. Your call.

Aos onze anos eu era um nerd promissor. Sério, aquele moleque freak que os adultos achavam que era superdotado (HAHA, quanta ingenuidade), só porque havia lido uma porrada de livros sem desenhinhos. Senhor dos anéis, Fundação, Campo de batalha Terra, Brumas de Avalon. Eu juro que estava trilhando um caminho promissor – sério, nesse ritmo estaria lendo Ulisses aos 18.

(Tá, tô zoando, né? Mas captou o espírito?)

Eu já era viciado em HQs. Mas era um lance saudável, saca? Tipo só beber no fim de semana. Lia X-Men do Chris Claremont, o Conan do Roy Thomas, Vingadores da Costa Oeste do Bryne, Hulk do Peter David. Entre outros, vários outros. Mas ainda saudável.

Um belo dia, veio a Image Comics. Eu e meus amigos nerdizinhos ficamos insanos com aquilo. A gente já lia Marvel e DC há anos e de repente surgia todo um novo fucking universo de heróis. E o mais importante: era A MESMA MERDA, MAS DIFERENTE.

E sabe por que era diferente? A gente podia acompanhar desde o começo. Eu sei que isso parece meio estúpido agora, hoje em dia existem inúmeras editoras independentes com seus próprios universos e mesmo a Marvel e a DC têm trocentos universos caça-níqueis (na época eu acompanhava o Universo 2099 da Marvel, no máximo). Algumas séries da Image lançaram até edições número ZERO, não dava pra ficar mais “íntimo” de uma série do que isso. Era promissor. SÉRIO, EU JURO QUE NA ÉPOCA ERA.

Eu tenho todos os primeiros números – em inglês – de WildC.A.T.s, Cyberforce, Condename Strikeforce, Stormwatch, Wetworks. TODAS ESSAS MERDAS.

Então, na época que deveria estar adquirindo uma bagagem mais ampla de leitura, eu estava lá amarradão acompanhando cópias genéricas da Psylocke se engalfinhando com cópias genéricas do Wolverine. E achando tudo aquilo SENSACIONAL. Culpa de todo aquele exagero narrativo – tudo pasteurizado, pra assimilação fácil e cômoda. Um bando de ideias já esgotadas pelas editoras tradicionais sendo re-esgotadas por uma editora que posava de revolucionária. E o máximo de revolucionário eram as capas laminadas e mulheres seminuas (ou nuas – desde que os mamilos não aparecessem, tava valendo).

(Quando eu digo que não é pra levar minhas opiniões a sério, o que me vem à cabeça são os caixotes de revistas da Image enfiados no armário. Um dia vou jogar essa merda fora, eu juro)

E isso fez maravilhas pelo meu senso crítico. Hoje em dia eu desprezo toda aquela porcaria (exceção óbvia para os Wildcats do Alan Moore e o Stormwatch do Warren Ellis), mas admito que um dia achei aquilo tudo a coisa mais foda do universo. Provavelmente foi por culpa da Image que eu enfiei na cabeça que queria desenhar quadrinhos e acabei em uma faculdade de Desenho Industrial (em outras palavras, o meu maior FAIL em termos de vida, you know).

Mas sem ressentimentos.

Quando aquela febre passou e eu voltei, aos poucos, a ler literatura, as coisas mudaram. Estava mais malandro e mais exigente. Desdenhava as novelzinhas de Dragonlance que teria adorado alguns anos antes. E logo comecei a ler Wheel of Time e minha vida acabou (mas isso já é outra história).

Adoro encontrar culpados. Depois do RPG, foi a Image que arruinou minha vida. Talvez eu estivesse lendo Pynchon aos 18 anos se não tivesse começado a ler Cyberforce aos 15. É A VIDA.

(Olha o exagero de novo, mas vocês captaram. Vocês devem ter passado por esse “processo” de alguma maneira similar, a Image é o meu bode expiatório pessoal.)

E sabe o que é pior? Toda vez que tentam alguma reformulação caça níquel do universo Image (da Wildstorm, especialmente), eu estou lá. Vou ler pra checar o que fizeram.

Sim, sou uma puta imunda. YAY!

*

Não sei se era exatamente isso que o Fraga tinha em mente quando proferiu a máxima “A Image arruinou nossas vidas” no MSN. Mas se não foi (vai ver ele foi estuprado por um negão parecido com o Maul dos Wildcats), ele que escreva um post sobre o assunto.

*

A ideia é voltar a atualizar esse blog. Vou postar algumas resenhas de coisas que li mais ou menos recentemente (a saber: World war Z, Dreamsongs, The brief and wondrous life of Oscar Wao, Dreaming in Cuban, Persuasion, Annabel & Sarah, etc) e continuar roubando ideias dos outros no MSN para posts caôs como esse.

X-Macbeth

dezembro 17, 2008

– E aí, cerveja mais tarde? Bar do Anão?

– Não róla, tenho que estudar. Prova sobre Macbeth amanhã.

– Porra, Macbeth é ridículo! Deixa de ser sóbrio!

– Num fode.

– Sério, eu desenvolvi um método pra compreender perfeitamente qualquer obra literária do cânone ocidental.

– Claro que desenvolveu. Então?

– É só comparar tudo com X-Men.

– Ahm. Tu já ta bêbado? Sabe que horas são?

– Sério, vai lá, compara aí. Vai por mim. Funciona.

– Beleza. Isso pode ser divertido.

– Sempre é.

– Bom, o Macbeth tem que ser o Ciclope. É o soldado perfeito, voltando da guerra, vitorioso e bem sucedido. Está prestes a ser promovido a Thane of Cawdor.

– Hã?

– Ok, líder dos X-Men.

– Agora sim.

– A Lady Macbeth, obviamente, é a Jean Grey. Mas, possuída pela Fênix Negra, ela envenena os ouvidos do Ciclope, persuadindo ele a cometer o assassinato do rei, ops, do Professor Xavier.

– O Ciclope nunca mataria o Professor Xavier assim, de bobeira.

– É, mas tá aí a graça. Quando ele tá voltando da guerra, o Ciclope encontra as Três Bruxas…

– Ein?

– Três Bruxas com poderes de ver o futuro…

– Fácil essa. Deixa eu te ajudar. Três Bruxas precogs podem ser…, sei lá, a Sina, a Feiticeira Escarlate e o pintor do Heroes. Então?, continua.

– Bom, elas vêem o futuro do Ciclope, dizem que ele se tornaria rei, ops, diretor da Escola Xavier. E ele fica boladão e tudo mais, né, deduzindo que para isso ia ter que matar o atual diretor. Só que eu concordo com você, ele nunca faria isso assim, de bobeira.

– Aí que entra a Fênix Negra.

– Isso. Ela dá uma prensa nele. Diz que ele tem que ter atitude, tem que ser o machão da parada. Matar o rei, porra.

– Não dá pra dizer não pra Fênix Negra. Mó ruivona gostosa de colante e tal.

– É, esse ponto é auto-explicativo. Ruiva. Colante.

– E aí?

– Acontece que a Fênix vai recuperando os sentidos e volta à personalidade de Jean Grey, ela não consegue viver com o fardo de ter tomado parte no assassinato do Xavier.

– Claro que não consegue. Ela destruiu um planeta inteiro quando estava doidona, eu lembro. Deve rolar um remorsinho. E depois…?

– O que você acha?, não leu a Saga da Fênix Negra? Ela se mata, porra. No meio do cerco do castelo.

– Ah, mas é claro. A Jean se desintegra, quando róla aquela porradaria com a Guarda Imperial Sh’iar.

– Caralho, mané, não é que está funcionando?

– Porra, você precisa estudar mesmo?

Putz, Shakespeare é moleza, queria ver minha professora explicar a cronologia dos X-Men.

– E, cá pra nós, Dias de um Futuro Esquecido deixa qualquer Macbeth no chinelo.

– Demorou tomar cerveja. Que horas no Bar do Anão?

(Diálogo realmente inspirado em uma conversa de msn. Só conheço gente maluca)

Nerdpride, rapá

julho 30, 2008
Ok, quando o Andy Warhol falou aquele parada sobre 15 minutos de fama, eu nunca imaginei que teria os meus. Yay! Minha ilustre participação abrilhantou a recente reportagem do Megazine sobre Orgulho Nerd.

Cool, deveras cool. Quem diria que depois de ser a vida toda achacado por tropas e tropas de valentões da escola, algum dia o rótulo nerd se tornaria cool. O corno que roubava o dinheiro do meu lanche – e hoje deve ser um professor de educação física careca – estaria se roendo de inveja, se não fosse um analfabeto funcional incapaz de ler algo mais complexo do que um placar de futebol.

Em algum momento vou escrever um texto sobre esse assunto, essa onda hype de Nerdpride. Tenho algumas considerações interessantes a fazer, mas preciso bolar duas dúzias de trocadilhos engraçadinhos pra esvaziar a credibilidade das minhas idéias. Odeio ser levado a sério.

Então, segue a imagem, pra vocês que ainda estão duvidando:

Eu sou o mané ali em cima, à direita. A reportagem está maneira mesmo, mas deixa eu registrar um protesto pra nerdizinha que tá ali, à esquerda. Mó gatinha e tal, mas PUTAQUEMEPARIU, que broxante, sair na foto lendo DC vs Marvel?? Em um jornal de circulação nacional?? DEUS ME FOCKIN LIVRE! Se a questão era aparentar ser nerd cool, que aparecesse lendo uma Superaventuras Marvel em formatinho com a Tropa Alfa na capa. Sério, ninguém merece DC vs Marvel. Aposto que ela tinha uma arma apontada pra cabeça. Ou something.

Vale lembrar que dá pra comprar A PORRA DO MEU LIVRO comigo. Vem com uma dedicatória amável e vários desenhos de passaralhos. Ou não, se você quiser eu desenho um Pikachu cigano, tudo ao gosto do freguês. Basta escrever pro meu adorável email, o afamado pedrogmvieira@gmail.com .

*

Pois é, o negócio é capitalizar em cima desses quinze minutos de fama. Tô cobrando por hora pra mestrar GURPS. Terceira ou quarta edição. Sério, eu sou um mestre sinistro. Prometo não matar todo mundo na primeira hora de jogo, até porque eu cobro por hora, né?, que nem piranha. E sai mais caro pra mestrar D20, porque detesto sistema que parece jogo de computador. E Desafio dos Bandeirantes, Elric e Paranóia, com tarifas a combinar.

Tá bom, Gorda, Ary, aceito meu pagamento em cerveja.

*

Então, o único livro que consegui ler inteiro nessas parcas férias foi o interessante A Mão que Cria, do Octavio Aragão. Não estou sendo péla saco porque o Octavio foi professor da Escola de Belas Artes (onde eu estudei em um momento negro e conturbado da minha vida), até porque ele não gosta de RPG. Quem não gosta de RPG bom sujeito não é, como diria o Ary.

Anyway, o livro é uma “ficção alternativa”. Um rótulo divertido pra um sub-gênero da ficção científica/fantasia, que envolve brincar com fatos históricos e literários e perverter a porra toda. Tipo um League of Extraordinary Gentlemen. Não é um simples “o que aconteceria se o Paraguai vencesse a Guerra do Paraguai”, é algo tipo “o que aconteceria se o Peru vencesse a Guerra do Paraguai com auxílio das Lhamas Mutantes do Dr. Moreau”. Sacou? O bagulho é extrapolação séria. Todos nós no Brasil estaríamos vestindo ponchos? Estaríamos bebendo pisco em vez de cachaça? As lhamas seriam o nosso único meio de transporte? Em vez de rodas de samba, teríamos índios com flautas tocando “Imagine”? Pois é, tem que ter cojones.

E no livro nós temos zumbis frankenstenianos (genial!) e o Aquaman do Dr. Moreau. É um tipo de literatura que demanda uma boa dose de pesquisa, e as referências são peça chave para “validar” as perversões impostas aos cânones históricos/literários.

Mas, colocando toda essa farofa pseudo-literária de lado, a melhor parte do livro são os zumbis.

Porra, colocar zumbi sempre é covardia. Ganha o meu coração na hora.

*
O episódio insólito da vez fica por conta do meu irmão, o cara mais bonito do Rio de Janeiro depois de mim. É o seguinte, o rapaz é uma pessoa saudável, atleta, maratonista, 2% de gordura, não bebe e nem fuma e, ironicamente, tem o coração bichado. Bem feito, quem mandou ser saudável, éin?

O que aconteceu: o mané havia terminado um procedimento inofensivo (deram um boot no coração dele, e felizmente não precisou reinstalar nada), mas que exigiu que o pobre diabo fosse dopado de morfina até as orelhas. Acordando do procedimento, ele teve a pior bad trip de distúrbio de personalidade da história da humanidade.

Acordou aos berros:

EU SOU OBINA! EU ENTRO NO SEGUNDO TEMPO PRA DEFINIR! OBINA NÃO PERDOA! OBINA DECIDE! PÓ’ DEIXÁ COMIGO!

Isso durou alguns segundos realmente assustadores. Até que uma enfermeira jeitosinha entrou no quarto e ele voltou a si – e perguntou se não rolava um cafunézinho.

bjundas

(np: Muse – Knights of Cydonia, e o show é amanhã, yay!)

Livros do (meu) ano

dezembro 28, 2007

Bom, todo mundo sabe que a coisa mais legal do mundo é fazer listas. É completamente inútil, mas todo mundo faz, começando pelas listas de supermercado (que nunca são respeitadas), até listas de resoluções de ano novo (bem menos confiáveis do que as de supermercado).

Agora deixando pra trás o parágrafo de introdução bullshit obrigatório, decidi fazer uma lista e citar – sem ordem de preferência ou cronologia ou porra nenhuma – os livros que li esse ano e mais gostei. Vamulá.

Reparação, do Ian McEwan. Quem já leu comentários sobre esse livro, em algum momento pensou “não pode ser essa pica toda, isso é hype de crítico punheteiro!”. Não, nem é. Coloquei o livro em primeiro aqui porque é a melhor que eu li em anos. Experimente falar mal na minha frente, vai sair briga.

(Não que isso signifique muito, também não admito que falem mal do Holy Land, do Angra, na minha frente.)

Mas sério, quero ver você ler essa singela história e não terminar as últimas páginas com aquela lágrima fugidia escapando incógnita e um sorriso idiota na cara. Sério. Mesmo.

Memórias póstumas de Brás Cubas, do Machadão, claro. Bom, como todo o resto do Brasil, eu fui obrigado a ler Machado na escola, quando queria mesmo era ler Dragonlance, Isaac Asimov e os X-Men contra a Fênix Negra. Porra, óbvio que nunca mais cheguei perto do Machadão. Havia um espaço empoeirado e praticamente inacessível na minha estante dedicado a Dom Casmurro e outros livros que “li” na escola. Só era possível alcançá-los com uma escada. Eu lembro ter “guardado” os livros lá fazendo frisbee literário (algum dia eu ensino as melhores técnicas). Mas alguns tiveram sorte pior. Iracema eu queimei num ritual satânico, ouvindo Motley Crue. \m/

Anyway, depois, com meus 27 anos na cara, calhou-me ler esse livro para a aula de Teoria da Literatura. Infelizmente, o frisbee do Memórias desapareceu, tive que comprar aquela edição sebenta da Martin Claret, que pelo menos não é diagramada em duas colunas.

Putz, que livro foda. O humor do Machado (ou do Brás) é praticamente Monty Python. E a visão cética dele é genial. E blá, blá e blá… Fiz uma prova sobre esse livro, não vou apoquentar vocês com toda a bagagem intelectual que eu tentei reter. Hehe. Sério, eu tento reter coisas intelectualmente enriquecedoras, mesmo que não sejam regras de RPG ou detalhes obscuros da cronologia ininteligível do Universo Marvel. Só mesmo Lingüística que eu faço questão de armazenar na minha pasta de arquivos temporários e deleto periodicamente. HAha.

Anyway, Machadão rules.

As Vinhas da Ira, John Steinbeck. É um livro grandinho, que caminha beeeem lentamente, sobre uma família de retirantes americanos em busca da “terra prometida” na Califórnia. Ao mesmo tempo que é realista, cru e muito crítico, é poético e emocionante. Não, não faz você virar gay, eu também sou sensível, porra. Vale ressaltar que foi uma dica de minha amiga húngara Szcszuka (ahá, vai, seu mané, tenta pronunciar isso! agora de novo, com a boca cheia de farofa!).

1933 foi um ano ruim, John Fante. A Gorda já tinha me emprestado dois Fantes (Bunker Hill e Pergunte ao pó, meu preferido), aí o Campélla me emprestou esse. Putaquepariu, que livro foda. Sem mais comentários.

Deus, um delírio, Richard Dawkins. Absolutamente genial. Inclusive, eu, ateu convicto, terminei o livro um pio devoto do Monstro do Espaguete Voador. Cara, vocês sabiam que o paraíso do Monstro do Espaguete Voador tem VULCÕES DE CERVEJA???? Isso aí, vulcões que jorram cerveja! Eu já mandei reservar o meu assento na beirada do vulcão da Leffe. HAHAHA, a minha religião rocks, a sua é um lixo.

Nove noites, Bernardo Carvalho. Mais outro bem vindo presente da minha aula de Teoria da Literatura. A leitura é fácil, dá pra sentar e ler de uma só vez. O texto é foda, a trama começa a prender da mesma maneira que Lost, você não entende porra nenhuma, mas tem a leve sensação que algo que de algum modo faz sentido está acontecendo. Isso até metade do livro. Ao fim, tire suas próprias conclusões e tente não me matar.

(Em tempo, Lost sucks justamente por todos os motivos que Nove noites rules)

O café-da-manhã dos campeões, Kurt Vonnegut. Descobri esse escritor americano esse ano e não, ainda não li Matadouro 5, apesar do Ary, do TV e Cerveja, ter me prometido emprestado. Mas, O café-da-manhã do Vonnegut já é um aperitivo dos melhores. Muito engraçado, zoando com a ficção científica e usando a ficção científica pra zoar com todo o resto, sempre criticando tudo com ironia. Foda.

12 razões para amá-la, Jamie S. Rich e Joelle Jones. Bom, isso é uma HQ, não um livro. Uma dessas HQs moderninhas sobre pessoas tipo eu, você ou a Gorda. Gente normal e sem graça. Um casalzinho qualquer que se apaixona e discute, e isso e aquilo e fica junto, ou não. Bom para tardes melancólicas.

Isso aí, não consigo pensar em mais nada agora.

Vou só destacar a decepção do ano, levantando um alvo de néon brilhante para receber todo o hate mail possível: o sétimo Harry Potter, que é uma bela duma bosta. E eu não vou falar nada a respeito porque estou sem paciência hoje. Porém, es ist scheisse.

Besitos a todos, até a próxima, ou não.
(np: Roberta Sá, Samba de Amor e Ódio)


p.s. O primeiro engraçadinho que fizer um trocadilho com “Livros do (meu) anûs” ganha um pirofante albino usado.

De que lado a Marvel quer que você esteja?

julho 16, 2007

Finalmente, começa a ser publicado aqui no Brasil o evento que promete abalar de vez o Universo Marvel. Que caô, né? Mais um caça níquel onde heróis lutam entre si. Será?

A história é o seguinte, os Novos Guerreiros, um grupo de heróis pé-de-chinelo, se mete a besta e resolve enfrentar uma trupe de super-vilões pé-de-chinelo, tudo isso em cadeia nacional de TV. O que seria apenas um equivalente super-heroístico a um embate entre Cabofriense e Madureira acaba tomando proporções dramáticas quando um dos super-vilões, cujo poder é explodir (cara, que poder original), resolve – adivinha? – explodir. O resultado é uma chacina na escolinha primária logo ao lado do campo de batalha (muito bem) escolhido pelos heróis. E a conseqüente morte de todo mundo.

Aí começa a parte “séria” da história. O governo americano aprova uma lei de registro de heróis, onde daí pra frente todos os heróis passariam a ser agentes do governo. Tem início um debate permeado de questionamentos éticos, e, finalmente, os heróis se dividem entre aqueles a favor da lei de registro e aqueles contra.

A boa idéia é (ou seria) retratar cada um dos lados imparcialmente, já que cada lado tem suas razões. Aqueles do lado do governo acham que tragédias como a da explosão da escolinha seriam evitadas. Aqueles contra a tal lei defendem o direito que todos nós temos de nos enfiarmos em um colante colorido e sair na rua espancando malfeitores.

Afinal, há de se dar crédito a esse direito. No meu caso, se eu tivesse super-força, ia pensar duas vezes antes de amarrar uma bandana do Flamengo na cabeça e sair tocando mais terror nos traficantes do que o caveirão. Provavelmente preferiria algo um pouco mais prático, como me tornar o trabalhador braçal mais bem pago do planeta. Putz, se o meu poder fosse explodir, ia fazer fortuna na prospecção de poços de petróleo. Anyway, lá vou eu divagando.

A trama segue um desenvolvimento típico de mega crossovers. Os heróis se dividem e a pancadaria estanca. Sublime! O problema é que a história nos manipula a torcer por um dos lados. Primeiro, todos os heróis cools ficam contra o governo, afinal, é cool ser contra o governo – reacionário, republicano e repressor (quisera eu ter mais adjetivos começados em ‘re’ e estender essa aliteração indefinidamente). Então, Demolidor, Wolverine, Luke Cage e o Capitão América (que, quando bem escrito, é foda pra caralho, vide a fase de Ed Brubaker que está saindo na revista dos Vingadores) são todos contra o registro. Importante notar que isso sela a questão de cara, já que o Capitão América sempre está do lado “certo”.

Do outro lado? Homem-de-Ferro. Quem mais? Jaqueta Amarela? Ah, vai tomá na peida. Reed Richards? Putaquepariu. Quer mais? Vespa, Ms. Marvel? Francamente, o único personagem com uma forma de tratamento no codinome que eu levo a sério é o Mr. Bean. Mais interessante é que a Marvel teve que desenterrar uns heróis de terceira, esquecidos lá nos cafundéus dos anos 90, pra poder preencher as fileiras da banda podre. Tipo, Magnum, Tigresa? Como assim? Se o Homem-Formiga estivesse vivo ia ser um dos picudões do grupo.

E o Homem-de-Ferro passa a se comportar exatamente como você espera que um vilão se comportaria. Nas palavras do meu irmão, “desde quando o Homem-de-Ferro se acha o bonitão?”. Pois é, ele tá se achando o bonitão, tipo “eu que mando nessa porra e vai ser desse jeito”. Muito se discutiu na internet se o personagem está out of character. Claro que está, porra, ele tá parecendo o fucking Dr. Destino. Só falta fundar a Starkvéria nos EUA.

Mas, no fim, it’s all about super-heroes beating the crap out of each other. E, devo admitir, poucas vezes a porrada estancou de maneira tão true entre super-heróis. Esqueça os debates éticos e descarte os personagens mal caracterizados, porque Guerra Civil é um grande baile funk onde os alemão do lado A tira onda com os camarada do lado B, e a porrada estanca.

E é lindo.

Só espero que a Marvel arque com as conseqüências do próprio elefante branco e não venha de gracinha, a famosa desculpa de “era uma realidade alternativa”. Vai ser extremamente frustrante, daqui a uns meses, se nego inventar que tudo não passou de um sonho do Lockheed.

Só mais uma última consideração. Afinal, de que lado o Dentinho está??? IMO, a opinião de um bulldogue alienígena gigante com poderes teleportadores sempre deve ser levada em consideração.

Inté!

UPDATE: O Ary, do Tv e Cerveja, contribuiu com o link para a genial versão de Guerra Civil em 30 segundos: http://the-isb.blogspot.com/2007/02/civil-war-in-30-seconds.html